A Leo Burnett Bruxelas desenvolveu para o governo uma campanha, denominada Energyvores (devoradores de energia, em tradução livre), que alerta as pessoas para checarem o quanto os eletrodomésticos consomem de energia antes de comprá-los.
Até aí tudo bem… a causa é nobre. Mas colocar as máquinas “obesas” para chocar a população e chamar a atenção para o consumo abusivo de energia… não sei não… fico me perguntando sobre a “mensagem que está por trás da mensagem”, entenderam?
Ok. Até que as ilustrações ficaram interessantes e a sacada engraçadinha pode ser uma boa maneira de quebrar o gelo ao falar de assuntos como esse e conseguir entrar na cabeça das pessoas. Mas, coitados de nós gordinhos! Até na mão da galera ecologicamente correta a gente se ferra e vira motivo de piada?
De qualquer maneira, os “verdes” lá da Europa gostaram da propaganda e concederam à Leo Burnett Brussels a prata nos Epica Awards em 2006.
Um aspecto curioso de tudo isso é que o www.energyvores.be (veiculado na campanha) não leva a nenhum site que fale a respeito do consumo consciente de produtos ou uso racional de energia elétrica! Será que tudo existiu apenas para os Epica Awards? Agora, ao acessar esse endereço, caímos no blog Cool Marketing Thoughts (Idéias Legais de Marketing, em tradução livre). Estranho? Tirem suas próprias conclusões.
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Fonte: Obesidade Mórbida

















Senhores
Tirando o fato de que existem gordos por disfunções metabólicas e genéticas (e outras além da sua vontade) e que a propaganda talvez seja o chamado “anúncio pra premiação” (dada a falta de continuidade da campanha, pela ausência de links relacionados ao tema)… o que não podemos (nós, gordos) é ficar com aquele discurso de “perseguição”. O Gordo come mais mesmo, não é? O gordo fica grande por que consome mais do que gasta, não é? Então a campanha tá correta em usar essa imagem como metáfora. Aliás, não só os gordos, mas qualquer coisa, quando está lotada, fica com ar de “balofa”… sacos cheios de lixo, bolsas cheias de quinquilharias, bolsos cheios de moedas… Eu, como gordo (não, não como não, é apenas uma preposição, nao é o verbo), me sinto confortável com a idéia. Sentir-se insultado ou buscar preconceito contra a “classe” numa idéia assim é ir além.
Porra, as campanhas são legais, o termo é bem sacado… apenas acho que, realmente, deveria haver uma continuidade da campanha no site.
E lembrem-se de uma das vantagens do gordo: num holocausto, os gordos terão mais chances de sobreviver, devido ao acúmulo de gordura, de energia no corpo. Vamos durar mais. Isto é, se nenhuma gangue de magros resolver nos atacar, pra fazer um banquete entre eles!
Abraços!
Oi Ricardo!
Obrigada por sua participação.
Sou conhecida entre os amigos por ser terminantemente contra o chamado “politicamente correto” e não serei eu a levantar a bandeira da “castração” da criatividade alheia. Porém, me incomoda sim a forma como as pessoas (não apenas os publicitários) utilizam certos estereótipos para fazer graça e tirar onda de cool.
Enquanto profissional da comunicação, não posso esquecer daquilo que aprendi na faculdade: uma imagem é um signo, uma representação, não é apenas aquilo que ela representa. Elas o evocam sentidos, significados, criam um imaginário em torno delas. E o “jogo” da publicidade é exatamente esse: usar imagens para ligar as pessoas em torno de um sentimento comum.
Proponho um exercício simples: um anúncio que colocasse em uma situação parecida outra “minoria” (negros, judeus, índios, mulheres, etc.) seria (ou não) de gosto duvidoso? Será que as feministas iriam ficar chateadas se fossem relacionadas as imagens de uma mulher com o cartão de crédito e um eletrodoméstico desses? A final de contas, teoricamente, o senso comum atribuiria a ambos o significado de “gastadores compulsivos”.
Gostaria de aproveitar para esclarecer que não sou contra a utilização da nossa imagem de gordinhos. Só acho que o contexto precisa ser bem pensado, assim como no caso de qualquer imagem que se use. Uma prova disso você verá no post que iremos publicar na próxima quarta-feira. O “carro gordinho” e essa estética usada na publicidade foram inspirados em uma série de obras de um artista plástico muito bacana, chamado Erwin Wurm. Aguarde!
Olá, Maira.
Legal. Mas não me entenda como crítico ao seu post. Apenas usei-o como gancho para criticar a onda do “politicamente correto”. E, sim, eu não sou contra piadas de judeus, bichas, gordos! Até acho que brincar com as características de cada um é salutar. Entre outras tantas coisas, não é o homem o único animal a rir de si próprio? Claro, não vamos partir pra crítica que rebaixa a condição do ser humano. Mas as diferenças estão aí para serem notadas e usadas.
Acho que quando um determinado grupo se sente ultrajado com referência à sua condição é porque, anteriormnte, essa condição já foi tachada como negativa. Uma prova disso é que se um negão na rua chamar um desconhecido de branquelo, não haverá consequências. Mas o inverso não é verdadeiro. Por uma série de referências históricas e sociais, a segregação racial deve ser combatida. E, por conta disso, a crítica fica “domada”. E, claro, eu reconheço que o “gordo” tem uma imagem negativada pela mídia, pela moda etc.
Ah, que coincidência! Na universidade também aprendi as relações de signo e imagem e getalt e tal… Como publicitário e designer tinha que saber pelo menos isso, né? Mas é que eu acho que a idade vem chegando e eu vou ficando cansado de ser bonzinho…
(um beijo e tchau! vou ali ler uma crônica de Bukowski!)
:-)